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Santa Catarina exportou quantidade recorde de soja até junho, aponta Epagri/Cepa

Epagri

Os embarques do complexo soja catarinense somaram mais de 1,15 milhões de toneladas de janeiro a junho, volume recorde da série de 2015/20, gerando divisas de US$ 398,7 milhões. No contexto geral dos produtos exportados por Santa Catarina nos primeiros cinco meses de 2020, a soja tem destaque, com participação de 11% no total das exportações. “O complexo soja envolve grão, mais farelo, farinha, óleo refinado e bruto”, explica Haroldo Tavares Elias, analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa).

A China continua sendo destino preferencial da soja catarinense, somando 93% do total embarcado entre janeiro e maio. “A crescente dependência do mercado chinês deve merecer atenção do agronegócio, mercado e produtores”, observa Haroldo.

Preços

A análise da Epagri/Cepa também mostra recuperação dos valores pagos pelo grão. Em maio, os preços da soja catarinense apresentaram uma reação de 9,57% em relação a abril e alta de 33% frente ao mesmo mês de 2019. Desde fevereiro a alta dos preços foi de 23%, acompanhando a relação cambial entre real e dólar.

Os bons preços registrados desde o início do ano mantêm elevada a participação da soja no valor bruto da produção estadual, apesar da queda de mais de 20% na produtividade da safra 2019/20 em relação ao ciclo agrícola anterior.  A produção esperada aponta para uma redução de 1,88% em relação a 2018/19, com volume estimado de 2,31 milhões de toneladas, contra 2,51 da safra passada. Tal redução é reflexo da falta de chuvas nas regiões de Curitibanos/Campos Novos e Campos de Lages, em especial em janeiro e fevereiro, descreve o analista da Epagri/Cepa.

Brasil

O Brasil se consolida como maior exportador mundial e agora também assume a posição de maior produtor. Neste ano, as exportações estão sendo recordes. De janeiro a junho, mais de 50 milhões de toneladas foram embarcadas pelo Brasil, posicionando a soja como primeiro item no ranking geral de exportações nacional. O grão representa mais de 70% das exportações do agro brasileiro.

“Em que pese a contribuição significativa da soja na balança comercial brasileira, é necessário analisar o contraponto de todo este sucesso, sem imputar culpas a um setor específico, mas sim da conjuntura atual”, avalia Haroldo. Ele lembra que outras culturas, como feijão, arroz e mandioca, registram retrações sucessivas nos cultivos ao longo das últimas décadas. “São espécies que geram a base da alimentação do brasileiro”, alerta o analista.

O cultivo da leguminosa no Brasil vem crescendo há mais de 30 anos, mudou o cenário da geografia econômica, superando os ciclos anteriores, como do pau-brasil, da cana-de-açúcar e do café. Na safra 1999/00 foram cultivados 13,69 milhões de hectares no Brasil, enquanto em 2019/20 foram cultivados 36,8 milhões de toneladas, aumento superior a 260% no período, ou seja, mais de um milhão de hectares de incremento da área cultivada por ano, revela Haroldo.

Em Santa Catarina a expansão do cultivo de soja tem evoluído significativamente. De 2000 a 2020 o crescimento da área de cultivo foi superior a 85%, incorporando 317 mil hectares. A partir de 2017, o Estado passou a produzir cerca de 2,3 a 2,4 milhões de toneladas.

China

A planta de origem Chinesa foi adaptada às mais diversas regiões e climas, ganhando o mundo. De seus múltiplos usos, do óleo de cozinha, passando pelo biocombustível ao concentrado proteico para rações, o cultivo da leguminosa tem sua demanda crescente para abastecer o complexo agroindustrial. Haroldo lembra que sua adaptação às diversas regiões do Brasil foi fruto de intensa pesquisa em melhoramento genético por instituições nacionais. “A soja é uma vitória graças aos pioneiros, às políticas públicas, às pesquisas, à tecnologia, às demandas da globalização e ao potencial do país de terras cultiváveis.