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Campo Futuro levanta custos de produção de grãos em SC

CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) levantaram os custos da produção de grãos nos municípios catarinenses de Campos Novos, na quarta (16), e Xanxerê, na terça (15), nos painéis do Programa Campo Futuro que analisaram as culturas de milho, soja e trigo na região.

O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedroso, o vice-presidente, Enori Barbieri, e o presidente do Sindicato Rural de Campos Novos, Luiz Sérgio Gris Filho, abriram o painel na cidade.

“As lavouras no geral tiveram um bom resultado na safra 2020/2021. No milho 1ª safra, a expectativa era colher de 180 a 200 sacas por hectare, mas o resultado médio ficou em 110 sacas. Os danos da cigarrinha do milho e um período de estiagem no desenvolvimento vegetativo reduziu o potencial produtivo das lavouras”, explicou Fábio Carneiro, assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA.

De acordo com a análise das culturas, os produtores de Campos Novos devem aumentar a área plantada de milho 1ª safra na próxima safra. “A perspectiva é ter bom resultado, mas o controle da cigarrinha ainda preocupa e afeta na decisão de plantio”, ressaltou Carneiro.

O levantamento identificou ainda que os custos com insumos para a soja subiram quase 15% e que a praga tripes (Thysanoptera) tem sido registrada no campo com mais frequência pelos produtores da região. Já nas culturas de inverno, trigo e aveia apresentaram bons resultados e conseguiram pagar o custo total.

Painel virtual com produtores de Campos Novos.

Em Xanxerê, região mais afetada pela cigarrinha em 2021, a perspectiva é a redução em até 20% da área plantada do milho na próxima safra.

“Os produtores apontaram que estão selecionando o material que será plantado na próxima safra, com foco em resistência à cigarrinha, deixando de lado a produtividade. Isso pode afetar de certa forma a produção para o próximo ano na região”, afirmou Thiago Rodrigues, coordenador do Campo Futuro.

O painel mostrou também que o uso do seguro rural é pouco efetivo, uma parcela reduzida de produtores fez uso dessa ferramenta, apenas aqueles que possuíam parte da safra financiada por instituições que trabalham com crédito oficial. Tal situação, por exemplo, limita o produtor a utilizar os benefícios do Proagro, avalia Rodrigues.

Em relação aos custos, para soja o levantamento apontou que 57% do Custo Operacional Efetivo (COE) foram referentes ao desembolso com insumos, e desse desembolso, o gasto com fertilizante ocupou 38%. A produtividade média da soja foi de 58 sacas por hectare.

O milho fechou o COE com um desembolso maior com insumos, 62% desse custo e o destaque também foi o gasto com fertilizantes. A expectativa dos produtores no início da safra era colher acima de 200 sacas por hectare, mas o resultado obtido foi de 130.

“Nas outras culturas analisadas o destaque foi para o feijão. O levantamento apontou uma produtividade de 22 sacas por hectare, somada a um preço favorável, trouxe bons resultados financeiros para o produtor. Já para o trigo, apenas as despesas de desembolso foram cobertas, apesar de a produtividade ter sido boa, com 55 sacas por hectare”, ressaltou Rodrigues.