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28 de janeiro 2026
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27 de janeiro 2026
Há 23 anos (em 30 de janeiro de 2003) desaparecia Aury Luiz Bodanese, uma das maiores lideranças do cooperativismo brasileiro. O fato é, ainda, muito recente para dele se extrair todas as avaliações que uma perspectiva histórica pode proporcionar, mas não existem dúvidas sobre sua influência na estruturação e na evolução do sistema cooperativista catarinense.
A extraordinária trajetória desse homem fascina a todos que o conheceram em vida ou que estudaram seus feitos. De origem humilde, tinha total obstinação pelo trabalho e entregou-se, precocemente, a tarefas laborais como, por exemplo, aos treze anos, transportar cereais do Alto Uruguai gaúcho até Porto Alegre, pilotando um caminhão Ford 1946, em viagens que duravam até oito dias. Nasceu em Barão do Cotegipe, na época (1934), distrito de Erechim (RS) e ainda jovem transferiu-se, com a família, para o distrito de Alto da Serra, em Chapecó (SC). Ali dedicou-se ao comercio de cereais até entrar em contato com o cooperativismo na década de 1960.
Aury teve participação decisiva na implantação e fortalecimento do cooperativismo. Em 1967 concebeu e coordenou a fundação da Cooperchapecó que, anos depois, viria a transformar-se na Cooperalfa, a maior cooperativa singular catarinense. Dois anos depois, em 1969, percebeu que era imperiosa a industrialização dos produtos primários para evitar que a região se limitasse a simples produtora/fornecedora de matérias-primas para a indústria de alimentos. Para materializar essa visão avançada, constituiu a Cooperativa Central Oeste Catarinense (atual Aurora Coop) e idealizou a compra de um frigorífico em situação falimentar. Nascia ali aquela que transformou-se em uma das duas maiores cooperativas centrais brasileiras. Perseguiu tenazmente a idéia de estruturar as cooperativas para que tivessem condições de transformar, beneficiar, industrializar a produção primária, agregando-lhe valor.
O sucesso da Cooperalfa e da Aurora Coop torna possível afirmar que Bodanese criou, dirigiu e estruturou o maior complexo cooperativo de Santa Catarina, oferecendo aos pequenos e médios produtores rurais condições de competitividade em todos os mercados. Fomentando a produção pecuária e de cereais, transformou o Oeste catarinense em um dos maiores produtores mundiais de alimentos.
Além de constituir e presidir as maiores sociedades cooperativistas de SC, Aury fundou e dirigiu todas as entidades do setor, como Ocesc, Fecoagro, Cocecrer (atual Sicoob), Itec, etc. Não acalentava projetos político-partidários nem pretensões eleitorais, mas foi homenageado como Cidadão Honorário de Santa Catarina em 1997 (por minha iniciativa) e de dezenas de municípios. Recebeu honrarias e prêmios de instituições nacionais e internacionais e, repetidas vezes, foi eleito liderança nacional dos segmentos agroindustrial avícola, agroindustrial suinícola, cooperativo etc.
Atuou no universo cooperativista, mas os efeitos de seus atos atingiram toda a sociedade pelo aumento da oferta de alimentos, pela geração e distribuição de riquezas, pela abertura de novos mercados.
Ausência sentida em milhares de corações, Aury será sempre lembrado em cada assembléia que se realizar, em cada tijolo que se assentar, em cada projeto que se implantar. Sua memória será cultuada em cada semente que plantarmos, em cada safra que colhermos, em cada nova fábrica que inaugurarmos, em cada gesto laboral de seus milhares de ex-colaboradores. Será honrado pelas milhares de famílias que o elegeram seu líder e porta-voz; pelos operários das indústrias erguidas pelas cooperativas e pelos dirigentes de dezenas de cooperativas criadas pela sua influência e pelo seu estímulo.