FAESC
25 de agosto 2026
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24 de agosto 2026
O Brasil tende a manter a liderança global nos embarques de carne bovina e de frango em 2026, apesar das mudanças no comportamento da demanda internacional. Ao mesmo tempo, a inversão do ciclo pecuário e as incertezas no mercado de grãos exigem maior planejamento dos produtores e da indústria. Nesse cenário, os frigoríficos devem manter o foco nas exportações, na abertura de novos mercados e na agregação de valor aos produtos brasileiros.
Esse panorama foi apresentado durante webinar promovido pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com a Safras & Mercado, na última segunda-feira (24). Com o tema “Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado de Carnes e Leite”, o encontro reuniu produtores rurais, técnicos, dirigentes sindicais e representantes do agronegócio para acompanhar informações estratégicas sobre as tendências que devem influenciar os mercados brasileiro e internacional nos próximos meses.
O analista de mercado sênior da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, destacou que as exportações brasileiras de carnes mantêm ritmo elevado em 2026 e que o cenário internacional amplia as oportunidades para o País. Segundo ele, as disputas comerciais entre grandes economias colocam o Brasil em posição estratégica e aumentam a necessidade de diversificação dos destinos.
No mercado de carne bovina, Iglesias observou que a salvaguarda chinesa alterou a dinâmica dos embarques brasileiros. “Exportamos um volume expressivo no primeiro semestre, mas, em julho, quando iniciou um processo de desaceleração das exportações para o mercado chinês, registramos o pior resultado do ano”.
Segundo o analista, esse movimento foge ao comportamento habitual do setor. Normalmente, o Brasil exporta mais carne bovina no segundo semestre, período em que os importadores chineses intensificam as compras para formar estoques antes do Ano-Novo Lunar, quando a demanda aumenta.
Em 2026, porém, a definição de cotas pelo governo chinês para os principais fornecedores antecipou a disputa pelo mercado. “Houve uma corrida muito forte pelas exportações. Quem chegou primeiro conseguiu uma fatia maior desse mercado, tanto entre exportadores quanto entre importadores”, explicou.
Segundo o analista, esse cenário amplia a necessidade de reduzir a dependência da China, atualmente responsável por quase metade das exportações brasileiras. Japão e Coreia do Sul estão entre os destinos considerados prioritários.
Iglesias mencionou, ainda, que há a possibilidade de os estados da Região Sul estarem entre os primeiros habilitados a exportar carne bovina brasileira ao Japão, o que poderá abrir novas oportunidades para Santa Catarina e outras regiões reconhecidas pelo elevado padrão sanitário.
Outro ponto destacado foi a preocupação com o mercado europeu. “Estamos em vias de perder o mercado da União Europeia. A partir de 13 de setembro, os embarques de carne bovina brasileira para o bloco serão suspensos”.
Para as carnes suína e de frango, os embarques seguem em patamar elevado. No caso do frango, foram exportadas 505 mil toneladas apenas em julho, um dos maiores volumes da história. Mesmo com esse desempenho, ainda há oferta significativa no mercado doméstico.
De acordo com Iglesias, as exportações são fundamentais para equilibrar a produção e evitar excesso de oferta no mercado interno. Em receita, a carne de frango registrou crescimento de quase 20%, enquanto a carne suína avançou 6,7%.
No segmento suíno, porém, o analista chamou a atenção para a queda da receita das exportações em julho. As Filipinas, um dos principais destinos do produto brasileiro, têm pago valores inferiores aos registrados em outros períodos, situação que aumenta a instabilidade do mercado.
De acordo com o palestrante, a demanda norte-americana permanece aquecida ao longo do ano. Por outro lado, questões sanitárias continuam no radar do mercado internacional, como a influenza aviária, os registros de peste suína africana (PSA) na Europa e na Ásia e os episódios de febre aftosa identificados em países como Rússia e China. Esses fatores podem alterar fluxos comerciais e abrir espaço para fornecedores com maior segurança sanitária.
Para Iglesias, a indústria frigorífica brasileira deverá manter as exportações entre suas prioridades, com atenção à abertura de novos destinos, à redução da dependência de poucos compradores e à agregação de valor aos produtos nacionais.
COMPETITIVIDADE EXIGE SEGURANÇA E RECONHECIMENTO
O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Clemerson Argenton Pedrozo, destacou a qualidade das informações apresentadas para o planejamento das propriedades rurais e das empresas do setor. “Informações e previsões de qualidade nos permitem refletir e tomar decisões com maior segurança. Os mercados internacionais reconhecem a qualidade e a competência do produtor rural brasileiro e, justamente por isso, criam cada vez mais exigências para os nossos produtos”, afirmou.
Clemerson também defendeu maior reconhecimento interno da agropecuária brasileira. Para ele, a competitividade construída pelo setor precisa ser acompanhada por políticas públicas que proporcionem segurança jurídica, crédito e condições adequadas à produção.
“Temos uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, uma produção segura e produtores que respeitam o meio ambiente. O Brasil tem vocação para produzir alimentos e é um dos grandes celeiros do mundo. Precisamos de autoridades que reconheçam esse valor, defendam o setor no exterior e criem condições para que o produtor continue produzindo com competitividade”, ressaltou.
Em nome do presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, Clemerson agradeceu à Safras & Mercado, ao palestrante e aos produtores, presidentes de Sindicatos Rurais e demais participantes que acompanharam o evento.
INFORMAÇÃO PARA A TOMADA DE DECISÕES
A programação integra a parceria mantida, pelo terceiro ano consecutivo, entre o Sistema Faesc/Senar e a Safras & Mercado, consultoria especializada em agronegócio. O trabalho amplia o acesso de produtores rurais, técnicos e lideranças do setor a informações estratégicas sobre as principais cadeias produtivas de Santa Catarina.
Os webinars ocorrem a cada dois meses e abordam mudanças no ambiente macroeconômico, comportamento dos mercados, custos de produção, comercialização e perspectivas para diferentes atividades agropecuárias. As palestras são conduzidas por especialistas que acompanham os cenários nacional e internacional do agronegócio.
O próximo encontro está programado para 26 de outubro e terá como tema o mercado de arroz, com o analista Evandro Oliveira. A programação de 2026 encerra em 15 de dezembro, com uma análise dos mercados de milho e soja, conduzida por Paulo Molinari.