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Sistema FAESC/SENAR destaca crescimento da tilapicultura e desafios do mercado do pescado

Sistema FAESC/SENAR destaca crescimento da tilapicultura e desafios do mercado do pescado
SENAR
12 de Maio de 2026
Por: MB Comunicação
Fonte: Sistema FAESC/Senar

O avanço da tilapicultura brasileira já não cabe apenas nos tanques das propriedades rurais. Hoje, o setor disputa espaço em mercados internacionais, enfrenta pressão de importados asiáticos, debate entraves regulatórios e busca novas formas de transformar resíduo em receita. Esse foi o cenário apresentado no Seminário Regional de Tilapicultura, realizado em 7 de maio, em São Miguel do Oeste, no Extremo Oeste catarinense, evento promovido pela Epagri com apoio do Sistema Faesc/Senar, sindicatos rurais, Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina e prefeitura municipal.

A palestra “Contexto Atual e Perspectivas do Mercado do Pescado”, conduzida pelo técnico da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Piscicultura do Sindicato Rural de São Lourenço do Oeste, Cristiano Bordignon, traçou um retrato de um setor que cresce em ritmo industrial, mas convive com ameaças externas e desafios estruturais. Segundo dados apresentados no seminário, o Brasil ultrapassou, em 2025, a marca histórica de 1 milhão de toneladas de pescado cultivado, das quais cerca de 70% vieram da tilápia.

“Hoje a tilápia deixou de ser uma atividade complementar. Ela se consolidou como uma cadeia produtiva estratégica para milhares de pequenas propriedades rurais brasileiras”, afirmou Bordignon.

Santa Catarina aparece nesse mapa com protagonismo. Apesar de ocupar apenas a 20ª posição em extensão territorial no país, o estado figura como o quarto maior produtor nacional de peixes de cultivo, impulsionado por tecnologia, intensificação produtiva e forte presença da agroindústria.

MERCADO 

Ao abordar o comportamento do mercado, Bordignon chamou atenção para a volatilidade dos preços da tilápia em 2026. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostraram recuperação expressiva das cotações após um período de forte retração em 2025. Em polos como Norte do Paraná e Grandes Lagos (divisa dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais), os preços voltaram a superar os R$ 10 por quilo no início deste ano, depois de atingirem patamares próximos de R$ 7 no ciclo anterior.

As curvas apresentadas evidenciaram um comportamento sazonal relativamente previsível. Os preços costumam atingir os maiores níveis entre março e maio, impulsionados pelo aumento da demanda na Quaresma e pela redução temporária da oferta. Já entre julho e setembro ocorre tradicionalmente o período de maior pressão sobre as cotações, reflexo da entrada simultânea de grandes volumes de peixe no mercado.

Segundo Bordignon, o comportamento do mercado confirma que a atividade exige planejamento técnico e comercial cada vez mais rigoroso. “O produtor precisa tratar a piscicultura como negócio planejado. Quem entende a sazonalidade e organiza o ciclo produtivo consegue posicionar o lote nos períodos de maior remuneração”, explicou.

A palestra também chamou atenção aos riscos que rondam a atividade. Entre eles, o avanço do filé de tilápia importado do Vietnã, a pressão tarifária norte-americana sobre o pescado brasileiro e a possibilidade de inclusão da tilápia na lista de espécies invasoras em debates ambientais federais. Conforme Bordignon, o setor conseguiu conter, ao menos temporariamente, alguns desses movimentos graças à articulação institucional de entidades ligadas ao agro.

“Existe uma mobilização forte de entidades nacionais para proteger a cadeia produtiva. O setor entende que a competitividade da tilápia brasileira não pode ser destruída por insegurança regulatória ou concorrência desleal”, disse.

VALOR AGREGADO

Um dos pontos centrais do Seminário foi a necessidade de agregar valor ao pescado. Bordignon lembrou que apenas cerca de 30% do peixe se transforma em filé, enquanto o restante ainda possui baixo aproveitamento econômico. Como alternativa, apresentou a expansão da CMS (Carne Mecanicamente Separada), tecnologia que extrai proteína das costelas, espinhaço e aparas da filetagem para produção de embutidos, empanados e hambúrgueres de peixe. “O futuro da piscicultura passa pela verticalização e pela transformação industrial. A margem do produtor não pode depender apenas do filé”, observou.

Outra iniciativa apresentada no seminário foi o projeto “Peixe na Escola”, desenvolvido por Bordignon a partir do programa CNA Jovem. A proposta busca ampliar o consumo de pescado no Brasil por meio da inclusão do peixe na alimentação escolar e da formação de hábitos alimentares desde a infância. Hoje, o consumo per capita brasileiro gira em torno de 10,5 quilos anuais, cerca da metade da média mundial.

FORTALECIMENTO E EXPANSÃO

Para o presidente do Sindicato Rural de São Miguel do Oeste, Adair José Teixeira, o seminário fortaleceu o trabalho da assistência técnica e gerencial na região e a atividade que tem grande impacto econômico no Oeste catarinense. “A piscicultura evoluiu muito nos últimos anos e hoje exige gestão, planejamento e acesso à informação de qualidade. Eventos como este aproximam o produtor das tendências de mercado, das inovações tecnológicas e das estratégias necessárias para garantir competitividade e renda no campo”.

O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, ressaltou que a piscicultura catarinense vive uma fase de consolidação e profissionalização, mas ainda possui espaço para expansão no mercado interno e externo.

“O Brasil reúne condições naturais excepcionais para liderar a produção mundial de proteína aquícola nas próximas décadas. Para isso, precisamos investir em capacitação, tecnologia e defesa institucional da atividade. O produtor catarinense mostra capacidade de inovação e eficiência produtiva compatíveis com os mercados mais exigentes”, avaliou.

Participaram do evento produtores, técnicos, lideranças regionais, além dos supervisores técnicos da ATeG, Rafael Loregian e Fernando Schneider e da supervisora regional do Senar/SC Grasiane Bitencourt Viêra.

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