ENTREVISTA: José Zeferino Pedrozo “O agro segue como pilar central da economia”

ENTREVISTA: José Zeferino Pedrozo “O agro segue como pilar central da economia”
FAESC
27 de Fevereiro de 2026
Por: MB Comunicação
Fonte: Sistema FAESC/Senar

O ano de 2025 foi intenso para o agronegócio catarinense e brasileiro. De um lado, avanços institucionais relevantes, investimentos em inovação, segurança jurídica e qualificação de pessoas. De outro, um ambiente econômico desafiador, com crédito caro, instabilidade fiscal, crise em cadeias estratégicas e a necessidade constante de adaptação às novas regras tributárias e ambientais. Em Santa Catarina, o Sistema Faesc/Senar (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de SC) teve papel fundamental na articulação de soluções, na defesa do produtor rural e na construção de um agronegócio mais preparado para o futuro. Confira entrevista com o presidente José Zeferino Pedrozo, que faz uma avaliação do ano passado e destaca as expectativas para 2026.

De que forma o Sistema Faesc/Senar atuou em benefício do setor produtivo em 2025?

José Zeferino Pedrozo – Atuamos de forma integrada em diferentes frentes, como inovação no campo; aprimoramento do ambiente político-institucional, passamos pela regularização ambiental e fortalecemos o apoio técnico especializado aos produtores. Estivemos presentes nos momentos estratégicos e decisivos, em parceria com a CNA, órgãos do Governo e outras entidades do setor. Reforçamos a biosseguridade, defendemos o setor produtivo nas mais diversas situações de dificuldades e garantimos apoio direto às famílias produtoras. Com ações estratégicas e parcerias relevantes, reafirmamos nosso compromisso com a segurança jurídica, a sanidade, o aumento da produtividade e a busca contínua pela excelência do agronegócio em Santa Catarina.

Cite algumas das principais conquistas do setor...

José Zeferino Pedrozo- - Com relação à inovação, o Sistema CNA/Faesc/Senar/Sindicatos promoveu e também foi parceiro de grandes eventos agropecuários em Santa Catarina, como feiras, leilões, seminários e exposições. Aliado a isso, fortalecemos nossa atuação nas ações de capacitação de produtores em diversas áreas, capacitação de turmas exclusivas para mulheres, por meio do Projeto Mulheres do Agro, bem como na formação técnica e na Assistência Técnica e Gerencial, conforme já mencionado.

No campo político-institucional, a Agenda Legislativa do Agro 2025 representou um marco para o setor. Lançada pela CNA, a iniciativa consolidou ações em defesa dos interesses dos produtores rurais e ampliou o debate estratégico sobre projetos de lei com impacto direto na produção rural em Santa Catarina e no país.

Algumas conquistas que contaram com nosso forte apoio incluem a aprovação, na Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei nº 1532/2025, que prorroga por mais cinco anos (até outubro de 2030) o prazo para regularização de imóveis em faixas de fronteira; a aprovação, na Assembleia Legislativa, do Projeto de Lei nº 759/2025, que proíbe em Santa Catarina a reconstituição de leite em pó e outros derivados de origem importada; a derrubada de vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental; a ampliação do Programa Rede Rural de Segurança, da Polícia Militar, que passou a atender todo o Estado, entre outras ações relevantes.

Outro avanço importante foi o lançamento do Projeto RetifiCAR no Estado, em parceria com a CNA e o Governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Meio Ambiente. A ação trouxe soluções para a regularização ambiental, auxiliando os produtores a manterem a conformidade sem comprometer a produtividade.

A transição para a Reforma Tributária também exigiu atenção especial e a atuação da CNA e da Faesc foi fundamental para orientar e preparar o setor diante dessas mudanças.

Também ampliamos o trabalho da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) ao criarmos a ATeG Suinocultura, que passa a oferecer orientações técnicas e de gestão, além de apoiar os produtores na adequação às normas de biosseguridade. Com essa nova frente, passamos a atender 12 cadeias produtivas no âmbito da ATeG – iniciativa que é considerada um marco para o agronegócio catarinense.

Quais foram as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores catarinenses em 2025?

José Zeferino Pedrozo - A crise prolongada do setor lácteo, que debatemos amplamente com a Aliança Láctea Sul Brasileira, com a CNA, com a Alesc, com a Câmara dos Deputados, entre outros órgãos, evidenciou problemas estruturais, pressão de custos, concorrência internacional e a urgência de novos modelos de negócio, incluindo a exportação como alternativa estratégica.

Os mercados do arroz e do leite enfrentam desafios constantes em todo o país. Apoiamos e seguimos apoiando iniciativas da CNA, do Mapa e do Governo de Santa Catarina que buscam estratégias para solucionar o problema.

A crise no crédito rural também foi um tema central, especialmente com a suspensão das linhas do Plano-Safra 24/25, o que gerou insegurança para pequenos e médios produtores.

Em resumo, 2025 foi um ano de grandes desafios, mas também de conquistas significativas. O agronegócio catarinense demonstrou resiliência e organização e o trabalho da Faesc, em colaboração com diversas entidades, foi decisivo para fortalecer o setor. O agro segue como pilar central da economia, mas para avançar, é fundamental contarmos com políticas públicas eficazes, segurança jurídica, acesso ao crédito e respeito ao trabalho do produtor.

Como avalia o desempenho do agronegócio em 2025?

José Zeferino Pedrozo - Embora vivemos um cenário econômico que exigiu resiliência, o agro respondeu com eficiência, união e protagonismo. O setor foi fundamental para a melhoria de alguns indicadores econômicos do país, como o PIB e a redução da inflação.

Em Santa Catarina, o desempenho do agro, que representa cerca de 30% do PIB do Estado, foi destaque especialmente pela capacidade de diversificação produtiva, qualidade dos alimentos, forte integração com a agroindústria e exportação. A produção de grãos na safra 2024/25 cresceu mais de 20%. As exportações de carnes atingiram recordes históricos, com 1,83 milhão de toneladas embarcadas e receitas superiores a US$ 4 bilhões. O Estado é referência nacional em cadeias como suinocultura, avicultura, produção de leite, grãos e fruticultura, o que fortalece a economia e mantém milhares de famílias no campo com renda e oportunidades.

Com orgulho, podemos afirmar que Santa Catarina manteve posição de destaque no agronegócio brasileiro, liderando a produção de carne suína, cebola e maricultura. Além disso, seguimos ocupando posição de destaque na produção de arroz, carne de frango, maçã, leite, entre outras culturas.

Mesmo diante de desafios como eventos climáticos extremos e aumento dos custos de produção, o setor demonstrou organização, investindo em inovação, sanidade, assistência técnica e gestão eficiente das propriedades. Sem dúvida, a atuação conjunta de entidades representativas e parceiros estratégicos tem contribuído para ampliar a competitividade, fortalecer mercados e incentivar práticas sustentáveis.

Como o senhor analisa a evolução da agropecuária ao longo das últimas décadas?

José Zeferino Pedrozo – Podemos afirmar que ocorreu uma transformação expressiva. A agropecuária acompanhou a evolução que também aconteceu na indústria e no comércio. Recordo que, na época do governador Esperidião Amin, nós sempre estivemos do lado do agronegócio, incentivando esse desenvolvimento. Um exemplo bem marcante é a questão do milho. Naquele período, foi criado um concurso para eleger o melhor produtor e a produção campeã girava em torno de 6 mil quilos por hectare. Hoje, nós já falamos em 12 mil quilos por hectare. Então, com ciência e tecnologia, a produtividade aumentou muito e isso se repete em praticamente todas as atividades do campo.

Na produção de leite, por exemplo, Santa Catarina hoje é o quarto maior produtor do Brasil. Costumo dizer que também temos mérito por essa evolução, porque aqui, na Federação, contamos com o Senar que possibilitou estruturar a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), além de manter hoje 17 polos da rede e-Tec Brasil de formação técnica distribuídos pelo Estado com os seguintes cursos técnicos: Agronegócio, Agricultura, Fruticultura, Florestas e Zootecnia, entre outras iniciativas.

Somente na ATeG, temos um grupo com 250 técnicos e supervisores técnicos, entre agrônomos, veterinários, zootecnistas, entre outros profissionais, que prestam Assistência Técnica aos produtores nas 12 cadeias produtivas atendidas. Cada técnico atende grupos de cerca de 30 produtores, com visitas mensais e acompanhamento para levar informação, melhorar gestão e aumentar resultados.

Nós transformamos a genética do gado em Santa Catarina. Antigamente, predominava o cruzamento com Zebu. Hoje, o padrão é o cruzamento com raças europeias, como Angus, Brangus, Hereford, Devon, Clarolês, Limousin, entre outras.

Mesmo sem termos o volume ideal de rebanho, Santa Catarina se destaca, assim como ocorre nas cadeias de suínos e aves, principalmente por um fator decisivo: a sanidade. Há mais de 18 anos somos livres de febre aftosa sem vacinação e isso abriu mercado para países extremamente exigentes. O Brasil recebeu esse reconhecimento oficialmente em 2025, mas Santa Catarina já possui a certificação desde 25/05/2007.

Essa evolução foi possível graças ao apoio da Assembleia Legislativa, dos Governos Estaduais, da Secretaria da Agricultura e também da iniciativa privada. Participei de muitas dessas conquistas, inclusive fui a Paris receber esse título – reconhecimento abriu portas e garantiu melhores preços e condições para as exportações do Estado.

Quais são as expectativas para o setor produtivo catarinense em 2026?

José Zeferino Pedrozo – Temos que ser otimistas! Acreditamos que, com diálogo, políticas públicas eficazes, segurança jurídica, fortalecimento do acesso ao crédito e respeito ao trabalho do produtor rural e de toda a cadeia produtiva do agronegócio, 2026 será marcado por novas oportunidades e desenvolvimento. Seguiremos trabalhando de forma comprometida para que este novo ano seja um período de crescimento, boas notícias e esperança para quem produz em Santa Catarina e em todo o Brasil.

Presidente FAESC/Senar, José Zeferino Pedrozo

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