SENAR
22 de outubro 2026
Depois de meses de forte pressão sobre os preços, o mercado brasileiro de arroz começa a apresentar sinais de recuperação. As perspectivas para o setor, a partir dos dados de oferta e demanda divulgados em outubro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), do desempenho do comércio exterior, da influência do câmbio e das cotações internacionais, bem como da evolução da nova safra, foram analisadas na última segunda-feira (26), durante webinar gratuito promovido pelo Sistema Faesc/Senar e pela Safras & Mercado.
O encontro teve como palestrante o analista de mercados agrícolas Evandro da Silva Oliveira, especialista nas culturas de arroz e feijão. Com o tema “Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado do arroz”, ele apresentou um panorama do comportamento dos preços, das exportações e importações, do câmbio, do mercado internacional e dos primeiros indicativos para a próxima safra.
O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, destacou a relevância dessas informações para Santa Catarina, segundo maior produtor nacional de arroz. “O especialista Evandro da Silva Oliveira apresentou informações valiosas para a cadeia produtiva. Santa Catarina ocupa uma posição de destaque nacional e conhecer os movimentos de mercado é fundamental em uma atividade sujeita a ciclos de alta e baixa e que representa uma fonte expressiva de renda para toda a cadeia produtiva”, afirmou.
PREÇOS REAGEM, MAS MERCADO INTERNO EXIGE ATENÇÃO
Segundo Oliveira, o mercado atravessou um período prolongado de preços abaixo de R$ 60 por saca nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em determinados momentos, as cotações recuaram para a faixa de R$ 50 a R$ 55 por saca. Nas últimas semanas, porém, o cenário começou a mudar.
O indicador da Safras & Mercado apresentado durante o webinar alcançou R$ 83,79 por saca, calculado por média ponderada conforme a representatividade de cada região. No Rio Grande do Sul, negócios pontuais ocorrem entre R$ 80 e R$ 82 por saca, principalmente na Fronteira Oeste, com variações de acordo com a região e a qualidade do produto. Em Santa Catarina, as indicações ficam entre R$ 72 e R$ 76 por saca.
“O mercado segue nesses patamares, aguardando os sinais de melhoria que vieram um a um”, frisou o especialista.
A reação das cotações internacionais, associada à redução da oferta disponível no mercado doméstico, ajudou a sustentar os preços. Segundo Oliveira, parcela expressiva da safra foi comercializada em níveis que trouxeram prejuízos aos produtores. Com menor volume em estoque, parte dos agricultores passou a adotar maior cautela nas vendas e a esperar condições mais favoráveis.
O analista também relacionou a valorização das cotações internacionais às preocupações climáticas provocadas pelo El Niño, com reflexos no Mercosul e, principalmente, na Ásia. Esse cenário alterou as expectativas para os próximos meses e levou produtores a elevar as pedidas para patamares superiores a R$ 80 por saca.
A indústria, entretanto, encontra dificuldade para acompanhar esses valores, o que reduz a fluidez dos negócios. Um dos motivos está no varejo, que ainda mantém estoques adquiridos a preços inferiores e registra ritmo mais lento de reposição.
De acordo com Oliveira, cerca de 85% da produção brasileira de arroz é destinada ao mercado doméstico. Por isso, o comportamento do consumo em novembro e dezembro terá influência direta sobre a sustentação dos preços. Uma reação das compras poderá dar continuidade ao movimento de recuperação ou, ao menos, reduzir a possibilidade de novas quedas.
O analista também chamou atenção para a diferença entre o custo atual da matéria-prima e os preços promocionais encontrados nos supermercados. Em alguns estabelecimentos, pacotes de cinco quilos ainda são vendidos entre R$ 12 e R$ 14, valores totalmente em desacordo com a matéria-prima. Na avaliação apresentada no webinar, preços próximos de R$ 18 por pacote permitiriam maior equilíbrio entre consumidor, indústria e produtor.
IMPORTAÇÕES COMPENSAM AVANÇO DAS EXPORTAÇÕES
O comércio exterior também influencia o comportamento do mercado brasileiro. Embora as exportações tenham superado 1 milhão de toneladas e estejam acima do resultado da temporada anterior, as importações cresceram em ritmo semelhante.
Segundo Oliveira, parcela relevante do arroz importado tem origem no Paraguai e em outros países do Mercosul, o que amplia a disponibilidade do produto no mercado nacional. O câmbio também favoreceu essas compras. O dólar chegou recentemente a R$ 4,98 e, em períodos anteriores, operou abaixo desse patamar, condição que tornou o arroz estrangeiro mais competitivo.
Os números da balança comercial entre março e setembro mostram esse equilíbrio. No período, o Brasil exportou 1,145 milhão de toneladas em base casca, alta de 24,2%, enquanto as importações alcançaram 1,123 milhão de toneladas, crescimento de 26,5%. “É nesse ponto que precisamos concentrar a atenção. Não basta observar apenas o avanço das exportações sem considerar o volume de arroz do Mercosul que ingressa no mercado brasileiro. Quando o produtor se retrai e eleva suas pedidas, a indústria, muitas vezes sem alternativa, recorre ao produto importado, que segue bastante competitivo”, explicou Oliveira.
WEBINARS
Promovidos a cada dois meses, os webinars do Sistema Faesc/Senar e da Safras & Mercado apresentam análises sobre mercados ligados aos principais segmentos do agronegócio catarinense. A programação é destinada a dirigentes sindicais, produtores rurais, profissionais do Sistema Faesc/Senar/Sindicatos, equipes técnicas da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e demais interessados.
Pedrozo observa que a parceria oferece subsídios para decisões no campo. “Essas análises permitem compreender tendências que interferem nos preços, na oferta e na demanda, além de fatores econômicos que afetam diretamente as decisões de produtores rurais, técnicos e demais agentes do agronegócio.”
PRÓXIMO WEBINAR
A próxima edição está marcada para terça-feira, 15 de dezembro, às 19 horas, com o tema “Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado do milho e soja”. A análise será conduzida por Fernando Iglesias, analista de mercado sênior da Safras & Mercado. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site sistemafaesc.com.br.