FAESC
9 de julho 2026
Santa Catarina tem inúmeros motivos para reconhecer e valorizar a força da cadeia produtiva do leite. Com produção consolidada, propriedades comprometidas com a adoção de técnicas modernas, investimentos em tecnologia e foco constante na qualidade, a pecuária leiteira catarinense se destaca pela relevância econômica e pela capacidade de gerar renda, empregos e desenvolvimento no campo.
Esse protagonismo, no entanto, convive com desafios que pressionam o setor e exigem atenção permanente de produtores, lideranças e instituições ligadas ao agronegócio. Mesmo assim, o setor cresce e se destaca pela capacidade de adaptação, pela profissionalização das propriedades e pela determinação dos produtores em manter Santa Catarina entre as principais referências nacionais na produção de leite.
No mês passado, o setor ganhou ainda mais visibilidade com a celebração de duas datas simbólicas: o Dia Mundial do Leite, em 1º de junho, e o Dia Internacional do Leite, em 24 de junho. As comemorações abriram espaço para reconhecer a dedicação dos produtores, debater os desafios da atividade e destacar as conquistas de uma cadeia produtiva estratégica para o agronegócio catarinense e para a segurança alimentar da população.
De acordo com o Boletim Agropecuário da Epagri/Cepa, a captação nacional de leite alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, crescimento de 8,4% em relação a 2024. O resultado indica uma retomada mais consistente da oferta nacional após um período de avanço moderado. Nesse cenário, Santa Catarina manteve posição de destaque e ocupa o quarto lugar no ranking brasileiro, com 3,5 bilhões de litros produzidos e alta de 6,4%, mantendo participação próxima de 13% do total nacional. Minas Gerais permanece na liderança, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul.
Santa Catarina se diferencia pela eficiência produtiva e pela gestão cada vez mais qualificada nas propriedades. A atividade leiteira está presente em diferentes regiões do Estado, especialmente em pequenas e médias propriedades, onde representa uma importante fonte de renda para milhares de famílias. Além disso, é uma das cadeias que mais geram empregos em Santa Catarina e no Brasil, com reflexos na produção no campo, na indústria, no transporte, no comércio e nos serviços ligados ao setor.
De acordo com o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, esse avanço resulta de um conjunto de fatores que envolve dedicação dos produtores, investimentos em tecnologia, melhoramento genético, qualidade da alimentação dos rebanhos, sanidade animal e gestão profissional das propriedades. “Nesse processo, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faesc/Senar, em parceria com os Sindicatos Rurais, tem contribuído para transformar a realidade das propriedades, elevar o nível de gestão, ampliar o uso de tecnologia e melhorar a produtividade”.
Na Linha Ariranhazinha, no município de Seara, no Oeste de Santa Catarina, a família Hartmann demonstra, na prática, como a ATeG pode transformar a produção leiteira. O produtor Jonas Gustavo Hartmann atua na propriedade ao lado da esposa, Eloide, do irmão Jean e dos pais, Egon e Secy. A propriedade conta com 36 animais no plantel leiteiro e tem a ovinocultura como segunda fonte de renda.

A aproximação da família com a ATeG Leite ocorreu após uma experiência positiva com a ATeG Ovinocultura de Corte. O bom resultado nessa atividade despertou o interesse em levar o mesmo acompanhamento para a pecuária leiteira. “Em uma visita técnica, o supervisor nos perguntou o que mais gostaríamos de melhorar. Respondemos que queríamos essa mudança também na atividade leiteira, como já havia acontecido com os ovinos. Ele nos orientou a procurar o Sindicato Rural de Seara e fazer a inscrição em uma turma. E foi isso que fizemos”, conta Jonas.
Antes de ingressar na ATeG Leite, a família enfrentava desafios financeiros e dificuldades relacionadas à nutrição, à sanidade e à organização do manejo. Com o acompanhamento técnico e gerencial, as mudanças começaram pelo planejamento da atividade, pela organização da rotina, pelo piqueteamento das pastagens, pela medição da produção de leite e por ajustes na alimentação dos animais.
Os resultados apareceram rapidamente. Antes do atendimento, a propriedade entregava cerca de 6 mil litros de leite por mês. Com a aplicação das orientações, a produção subiu para 14 mil litros, depois para 16 mil e chegou a 18 mil litros em meses consecutivos. Em um dos períodos, alcançou 20 mil litros mensais, sem aumento no número de animais. “Foi algo muito significativo. Não aumentamos o plantel. Apenas colocamos em prática, mês a mês, aquilo que o técnico nos orientava. Com o mesmo número de animais, conseguimos melhorar muito a produção”, afirma Eloide.
Outras orientações que fizeram diferença no dia a dia, incluem a adequação nutricional do rebanho, a instalação de bebedouros na saída da sala de ordenha, a divisão das áreas de pastagem perene em piquetes e módulos e o manejo correto de entrada dos animais nas pastagens.
A gestão financeira também avançou. O controle mensal dos custos permitiu compreender melhor a movimentação da propriedade e planejar as decisões com mais segurança. “Hoje conseguimos acompanhar melhor os custos, saber o que entra e o que sai. Antes não tínhamos essa visão. Agora conseguimos entender melhor a propriedade e planejar o mês seguinte”, explica Jonas.
Com as contas mais organizadas e a produção maior, a família equilibrou as finanças, formou uma reserva e passou a investir com mais confiança. Para Jonas e Eloide, a ATeG Leite representa segurança, saúde financeira e novas perspectivas. “Também representa novos caminhos, porque hoje temos mais confiança para fazer mudanças e investimentos”, afirma Eloide.
Os próximos objetivos incluem avanços na melhoria genética dos animais e a conclusão de estruturas voltadas ao conforto do rebanho, como sombreamento e ampliação dos pontos de água.
O técnico de campo responsável pelo atendimento, Cleverson Percio, ressalta que o o resultado alcançado pela família Hartmann é consequência da aplicação correta das orientações e do comprometimento dos produtores. “Todas as recomendações foram elaboradas e executadas com critérios técnicos. Tudo teve base técnica e, com as ações realizadas pela família, tivemos sucesso. Chegamos ao objetivo e fomos além do que esperávamos”, avalia.

Para o supervisor técnico da ATeG, Fernando da Silveira, o caso dessa propriedade demonstra que acompanhamento contínuo, orientação gerencial e capacitação contribuem para decisões mais seguras, redução de custos, melhoria dos indicadores zootécnicos e adoção de tecnologias no campo. “A ATeG mostra, na prática, que a produção de leite ganha força quando conhecimento técnico e gestão caminham juntos. Ao profissionalizar a propriedade, o produtor amplia sua eficiência, melhora os resultados e constrói uma atividade mais rentável e sustentável”, ressalta.
O presidente do Sindicato Rural de Seara, Valdemar Zanluchi, enfatiza que o desempenho da propriedade reflete a união entre conhecimento, Assistência Técnica e Gerencial, organização e dedicação da família. “Esse é um dos grandes casos de sucesso da nossa região. Temos orgulho dos resultados alcançados pela família e do impacto positivo que a ATeG tem proporcionado às propriedades rurais”.