FAESC
23 de fevereiro 2026
“Cenário de oferta e demanda global e perspectivas de mercado de carnes e leite” foi o tema do primeiro webinar de 2026 promovido pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com a com a Safras & Mercado, consultoria especializada em agronegócio. A iniciativa integra o ciclo bimestral de palestras promovido pelas entidades para atualizar lideranças e produtores rurais de Santa Catarina sobre o cenário macroeconômico e as tendências das principais cadeias produtivas.
Na abertura desta edição, o vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo, destacou a importância da iniciativa para o sistema sindical rural e para todo o setor. “É uma satisfação estar com todos os presidentes, colaboradores do Sistema Faesc/Senar e demais representantes do agronegócio neste evento que apresenta análises fundamentais para as tomadas de decisões no campo. Essa parceria com a Safras & Mercado é importante para estarmos atualizados e informarmos os produtores sobre a atividade”, afirmou.
Segundo ele, o tema da primeira edição é estratégico para o momento do setor. “Hoje tratamos da oferta e demanda global de carnes e leite, com a participação do analista sênior da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, profissional altamente qualificado e que acompanhamos há anos”, acrescentou.
INSTABILIDADE
Durante a palestra, Fernando Iglesias avaliou que 2026 iniciou com instabilidade para a cadeia de carnes e lácteos. “É um ano já tumultuado para o setor de carnes, com fortes emoções adiante. A pecuária de leite ainda convive com instabilidade e há problemas que não podem ser esquecidos”, afirmou. O analista citou a demora na adoção de medidas relacionadas à importação de lácteos como um dos pontos de atenção. “Há meses o setor alerta para o impacto das importações sobre a pecuária de leite. No ano passado, houve forte compressão das margens. Agora, de forma lenta e gradual, observamos recuperação de preços”, explicou.
Segundo ele, a recuperação tende a ocorrer de forma gradual. “Esse será um processo lento. A boa notícia é que temos insumos em abundância no Brasil, com boa disponibilidade de milho e soja. Mesmo em anos de safra recorde, a estratégia de aquisição de grãos precisa estar presente”, afirmou, ao antecipar que o tema será detalhado no encontro específico sobre grãos.
MOVIMENTAÇÃO CÂMBIAL
O palestrante também abordou o cenário macroeconômico e a movimentação cambial no primeiro bimestre. De acordo com Iglesias, a valorização recente do real está relacionada à taxa básica de juros de 15% ao ano no Brasil, patamar superior ao observado em economias como Estados Unidos, Europa e Japão. “Com juros mais altos, investidores captam recursos a custos menores em economias maduras e aplicam no Brasil. Esse movimento sustenta a valorização da moeda”, explicou.
Ele destacou que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para 18 de março, poderá iniciar um ciclo de corte da taxa básica. O analista citou ainda desafios fiscais internos, o aumento da dívida pública e o ambiente eleitoral como fatores de atenção. No campo internacional, mencionou a instabilidade geopolítica e as medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos. “No caso da carne bovina, não há prejuízo adicional, pois o produto ficou fora da lista de novas tarifas, assim como o suco de laranja”, afirmou.
MERCADO DOMÉSTICO
Ao tratar do mercado doméstico, Iglesias apontou o início de uma recuperação gradual da pecuária leiteira. Ele observou que a avicultura e a suinocultura enfrentaram um janeiro e início de fevereiro difíceis, com excesso de produto no mercado e isso desestabilizou preços. Em contrapartida, a pecuária de corte registra valores elevados.
De acordo com o analista, o ambiente de oferta está restrito, enquanto as exportações seguem aquecidas, principalmente para China e Estados Unidos. Esse cenário sustenta a perspectiva de continuidade da alta no curto prazo. Iglesias afirmou ainda que 2026 deve marcar maior rentabilidade para a fase de cria na pecuária de corte. “É o ano da cria. Teremos menor participação de fêmeas no abate e a reposição já apresenta preços elevados, próximos das máximas históricas”.
DESTAQUE PARA O BRASIL
Fernando Iglesias ressaltou a força do Brasil no mercado internacional de proteínas. “O Brasil é líder global na exportação de carne de frango e carne bovina. Ocupamos a terceira posição, em ritmo crescente, nas exportações de carne suína e registramos crescimento importante nos embarques de ovos. Temos uma capacidade de exportação invejável e somos referência mundial quando falamos de proteína animal”, afirmou. Para a suinocultura, a estimativa é de novo recorde. “Projetamos o abate de 52 milhões de suínos, o maior da história do país”, acrescentou.
Ao concluir, Fernando Iglesias afirmou que o Brasil tende a manter a liderança global nos embarques de carne bovina e de frango em 2026, apesar de mudanças no comportamento da demanda internacional. Segundo ele, o ciclo pecuário segue em processo de inversão, enquanto o mercado de grãos enfrenta incertezas que exigem estratégia por parte dos consumidores. O analista acrescentou que, ao longo do ano, a indústria frigorífica deve manter foco nas exportações, na abertura de novos mercados e na agregação de valor ao produto brasileiro.
CICLO DE WEBINARS
Ao longo de 2026, o ciclo de webinars também abordará temas como os mercados de milho, soja, fertilizantes e arroz. As palestras são conduzidas por especialistas que acompanham diariamente os cenários nacional e internacional do agronegócio, com foco em orientar produtores e lideranças sobre riscos e oportunidades.
A próxima edição será no dia 28 de abril, às 19 horas, com o consultor-chefe da Safras & Mercado, Paulo Roberto Molinari. O tema será “Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado de milho e soja.
Foto: Webinar contou com a participação de produtores e lideranças do setor
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