FAESC
28 de agosto 2026
A presença feminina avança em diferentes áreas do agronegócio, da produção à gestão dos empreendimentos rurais. Histórias que traduzem essa transformação foram destaques na segunda edição do Agropocket Grande Oeste, realizada nesta quinta-feira (27), no Pollen Parque Científico e Tecnológico, em Chapecó. Com o tema “Mulheres do Agro”, o encontro reuniu produtoras, profissionais e lideranças para compartilhar experiências e discutir os espaços ocupados pelas mulheres no setor.
Promovido pelo Canal Rural em parceria com o Sistema Faesc/Senar, o evento contou com o apoio do Pollen Parque Científico e Tecnológico e da Unochapecó. A programação abriu espaço para relatos de mulheres com diferentes formações e atividades, mas que têm em comum a participação direta na produção, na administração e nas decisões dos negócios.
Na abertura, Giovani Ferreira e Marília Lázare, do Canal Rural, ressaltaram a importância da iniciativa e destacaram o crescimento da presença feminina nos mais diversos espaços do agronegócio. Segundo eles, ampliar a visibilidade dessas experiências também contribui para estimular novas lideranças e mostrar as inúmeras oportunidades existentes no setor.

Essa valorização das experiências femininas é visível trabalho desenvolvido pelo Sistema Faesc/Senar. A assessora jurídica sindical da Faesc, Andreia Barbieri Zanluchi, ressaltou que a parceria na realização do Agropocket permite dar visibilidade a essas histórias e incentivar outras mulheres a reconhecerem suas próprias capacidades. “Quando falamos da mulher no agro, falamos de competência, inovação, gestão e liderança. Ela já está no campo, produz, administra, empreende e toma decisões. Precisamos criar oportunidades para que ela tenha cada vez mais conhecimento, confiança e reconhecimento”, afirmou.
Durante o encontro, Andreia apresentou o Programa Mulheres do Agro, desenvolvido pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com os Sindicatos Rurais. A proposta reúne oportunidades de capacitação destinadas às mulheres que vivem e atuam no meio rural, com o objetivo de ampliar conhecimentos, fortalecer a autonomia e criar condições para uma participação cada vez maior na gestão das propriedades e nas decisões do setor.

A proposta reúne oportunidades de capacitação destinadas às mulheres que vivem e atuam no meio rural, com o objetivo de ampliar conhecimentos, fortalecer a autonomia e criar condições para uma participação cada vez maior na gestão das propriedades e nas decisões do setor.
Uma das ferramentas do programa é o Catálogo Rosa, que inclui treinamentos voltados especificamente ao público feminino. As formações abrangem áreas como agricultura, pecuária, silvicultura, agroindústria, aquicultura, atividades agrossilvipastoris, gestão e empreendedorismo, além de liderança e desenvolvimento. “Queremos inspirar outras mulheres a acreditarem no próprio potencial, ocuparem novos espaços e investirem na capacitação. Quando uma mulher amplia seu conhecimento, também ganha segurança para participar das decisões da propriedade e dos negócios”, acrescentou Andreia.
Também estiveram presentes no encontro os supervisores regionais do Senar/SC Grasiane Bittencourt Viêra e Helder Jorge Barbosa, entre outras lideranças.
CONHECIMENTO PARA DECIDIR
Um dos destaques da programação foi a palestra “Mulheres que Transformam”, conduzida pela médica-veterinária e palestrante Eliana Renúncio. Ela abordou as mudanças na presença feminina no agronegócio e defendeu a busca permanente por conhecimento como instrumento de autonomia. Segundo Eliana, as mulheres já ocupam cerca de 38% dos espaços no setor. Para ela, o avanço precisa vir acompanhado de conhecimento para assumir responsabilidades e participar das decisões. “A principal mensagem é que elas nunca parem de aprender. Quem aprende toma decisões melhores para o negócio e também para a própria vida”, afirmou.
HISTÓRIAS DE QUEM FAZ O AGRO
As experiências compartilhadas durante o Agropocket mostraram que o protagonismo feminino assume diferentes formas dentro e fora das propriedades. Da avicultura à apicultura, mulheres relataram como passaram a conduzir negócios, administrar equipes e dar continuidade à atividade de suas famílias.

Além de apresentar o Projeto Mulheres do Agro, Andreia Barbieri Zanluchi esteve entre as participantes do painel ao lado de outras empreendedoras do agronegócio e apresentou os avanços da avicultura na Granja Zanluchi, situada em Seara, no Oeste catarinense. Ela compartilhou experiências bem-sucedidas da gestão da propriedade e demonstrou como a adoção de novas tecnologias e as capacitações contribuem para aprimorar a produção e os resultados no campo.
De Seara, a apicultora Elis Cristina Verdi Simadon administra uma agroindústria de produtos derivados do mel. Para ela, a presença feminina também acrescenta diferentes perspectivas aos negócios rurais. “É importante que a mulher se coloque como protagonista e leve sua autenticidade, sua sensibilidade e também esse olhar para a sustentabilidade, que é fundamental para a manutenção da vida no planeta”, destacou.
A história de Francieli Tacca, de Ouro Verde, tomou outro caminho. Formada em Odontologia, ela decidiu assumir a propriedade rural da família e encontrou no campo a oportunidade de preservar uma história construída por gerações. “É motivo de muito orgulho e gratidão poder dar continuidade à história da nossa família”, afirmou.
Já Tisânia Bernardi, sócia-proprietária da Granja Santa Terezinha, de São Miguel do Oeste, administra a empresa rural focada na produção de ovos. “Trabalho com a agricultura desde muito jovem e tenho orgulho de representar as mulheres do agro e de mostrar um pouco daquilo que vivo todos os dias na propriedade, coordenando os trabalhos, lidando com pessoas e também com os animais”, relatou.

O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, enfatizou que encontros dessa natureza contribuem para aproximar diferentes gerações e colocar em destaque experiências capazes de estimular novas lideranças no campo. “O agronegócio oferece oportunidades para mulheres que desejam atuar na área técnica, empreender, administrar propriedades, liderar equipes e construir seus próprios negócios. Conhecimento e qualificação dão condições para que elas avancem com segurança e estejam cada vez mais presentes nas decisões”, ressaltou ao reconhecer a importância de parcerias como essa.
Pedrozo também reforçou que as capacitações ocupam espaço central nesse processo e citou o próprio Programa Mulheres do Agro como uma das frentes mantidas pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com os Sindicatos Rurais de Santa Catarina.