SENAR
15 de junho 2026
FAESC
12 de junho 2026
Produção e mercado do milho em SC são debatidos durante lançamento do Projeto Sementes de Milho 2026
A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) oficializou o início da operacionalização do Projeto Sementes de Milho 2026, no dia 03 de junho, em Palmitos. Durante o encontro, o vice-presidente de Secretaria da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, apresentou uma análise sobre a situação atual e as perspectivas da produção e do mercado do milho em Santa Catarina.
O evento foi uma parceria entre a Sape, Epagri, Cooper A1 e Fecoagro. Em sua explanação, Barbieri, que também é vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e presidente da Câmara Setorial do Milho do Ministério da Agricultura, dividiu sua análise em três etapas. A primeira abordou o cenário mundial do milho, com destaque para os principais países produtores, os mercados consumidores, a distribuição da produção, a demanda e os estoques globais.
Segundo ele, o milho é o cereal mais produzido no mundo, com uma safra estimada em aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas, superando o trigo, o arroz e a soja.
Na segunda parte, o foco foi o Brasil. Foram apresentados dados sobre as regiões produtoras, os volumes de produção e consumo, os mercados de exportação e os desafios logísticos enfrentados pelo país para o escoamento da safra.
A terceira e principal etapa da apresentação foi dedicada a Santa Catarina. O dirigente destacou que o Estado necessita de aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de milho por ano, mas produz apenas cerca de 2,5 milhões de toneladas. Essa diferença obriga a busca do grão em outros estados para suprir a demanda, especialmente da cadeia de proteína animal.
De acordo com Barbieri, Santa Catarina está entre os grandes consumidores de milho do Brasil em razão da força de sua produção de carnes, leite e derivados. Ele observou que a cadeia de proteína animal utiliza entre 70 milhões e 75 milhões de toneladas de milho por ano no país, enquanto a indústria do etanol já consome cerca de 40 milhões de toneladas anuais. A rápida expansão das usinas de etanol de milho, segundo ele, acende um alerta para os setores que dependem diretamente do cereal.
Esse cenário, avaliou Barbieri, exige planejamento e construção de estratégias para ampliar a produção mais próxima dos centros consumidores. Ele também propôs uma reflexão sobre alternativas capazes de fortalecer a produção catarinense de milho e reduzir a dependência externa. “Temos que ter um pensamento voltado à sustentabilidade da proteína animal em Santa Catarina”.
Barbieri ressaltou, ainda, que sua análise parte de uma visão ampla do setor, construída a partir da atuação na Faesc, na Abramilho e na Câmara Setorial do Milho do Ministério da Agricultura.

SOBRE O PROJETO SEMENTES DE MILHO 2026
O Projeto Sementes de Milho 2026, oficializado durante o evento, é uma iniciativa que prevê investimento de R$ 39,8 milhões em sementes de milho de alta tecnologia para a próxima safra.
A meta é elevar a produtividade por hectare e fortalecer as cadeias produtivas de carne e leite por meio da produção de grãos e silagem. Integrante do Programa Terra Boa, o projeto disponibilizará 175 mil sacos de sementes de milho de alto valor genético, beneficiando mais de 43,5 mil famílias de agricultores em praticamente todos os municípios catarinenses.
O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, destacou que a iniciativa contribui para ampliar a competitividade da agricultura catarinense. “Com genética de qualidade, o produtor tem mais garantias de produção. Esse projeto também contribui para diminuir o déficit da produção de milho. É mais uma ação que reafirma o compromisso do Estado com o desenvolvimento sustentável do meio rural catarinense”, afirmou.
Durante a solenidade, foram assinados os Termos de Operacionalização 2026 entre o Estado, a Epagri e a Fecoagro, além do Termo de Autorização, que simbolizou o início das entregas aos agricultores da região.
COMO SERÁ A OPERACIONALIZAÇÃO
O Projeto Sementes de Milho é operacionalizado por meio de cooperação entre a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária e a Fecoagro. Os produtores já podem procurar a Epagri para retirar a autorização e, posteriormente, buscar as cooperativas ou casas agropecuárias credenciadas para formalizar o projeto de parceria.
Cada família de agricultores familiares poderá retirar até cinco sacos de sementes por ano. O valor da subvenção varia conforme o nível tecnológico do insumo. No Grupo I, que contempla cultivares de polinização aberta, a subvenção é de R$ 100 por saco. Já no Grupo V, composto por cultivares de alta tecnologia com tratamento industrial, o apoio pode chegar a R$ 270 por saco.
MONITORAMENTO DA CIGARRINHA-DO-MILHO
Além da palestra de Barbieri, a programação técnica contou com a apresentação dos resultados do Programa de Monitoramento da Cigarrinha-do-Milho, realizada pela pesquisadora do Cepaf/Epagri de Chapecó, Maria Cristina Canale, coordenadora da iniciativa.
O programa, desenvolvido pelo Governo do Estado, monitora a ocorrência da cigarrinha-do-milho e dos patógenos transmitidos pelo inseto. Em sua apresentação, Maria Cristina apresentou os avanços obtidos ao longo de cinco anos de execução. Nesse período, o programa recebeu investimentos de R$ 2,2 milhões, avaliou quase 10 mil armadilhas, realizou mais de 10 mil extrações para diagnóstico e mais de 33 mil análises moleculares. Segundo a pesquisadora, o monitoramento indicou reduções na ocorrência da cigarrinha em períodos estratégicos de manejo.
NECESSIDADE ESTRATÉGICA
O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, destacou que iniciativas como o Projeto Sementes de Milho 2026 são fundamentais para fortalecer a produção catarinense e oferecer mais segurança às cadeias produtivas que dependem do cereal. Segundo ele, elevar a produtividade do milho em Santa Catarina é uma necessidade estratégica para reduzir a dependência de outros estados, melhorar a competitividade do campo e assegurar o desenvolvimento sustentável da agropecuária. “Precisamos apoiar ações que levem tecnologia, genética de qualidade e orientação ao produtor rural”, afirmou Pedrozo.