- HOME FAESC SENAR
- Notícias do agro
- Sindicatos
-
- Transparência e prestação de contas
- Transparência
- Normas
- Eventos
- Fale Conosco
Cerca de 30 mulheres indígenas da Aldeia Olaria, em Ipuaçu, no Oeste catarinense, participaram de uma roda de conversa sobre prevenção aos cânceres de mama e do colo do útero e cuidados com a saúde emocional. O encontro, realizado recentemente, integrou a programação do Outubro Rosa do Programa Saúde no Campo, desenvolvido pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com o Sindicato Rural de Xanxerê.
O evento abordou autocuidado, fatores de risco, sinais de alerta e diagnóstico precoce. As participantes também receberam orientações sobre exames preventivos, vacinação contra o HPV, acompanhamento periódico pelos serviços de saúde e atenção ao bem-estar emocional.
A programação foi conduzida pela supervisora do Programa Saúde no Campo, Josiane Petrikoski Foresti, pela técnica de saúde Camila Garollo Piran e pela psicóloga Maireli Grohs.
Segundo Josiane, a proposta foi oferecer um espaço de confiança para que as mulheres pudessem esclarecer dúvidas e compartilhar experiências. O grupo demonstrou interesse pelos temas e pelas formas de prevenção. “Falamos sobre os principais sinais e sintomas que merecem atenção, sobre a necessidade dos exames preventivos e sobre o acompanhamento de saúde. Também reservamos espaço para conversar sobre saúde emocional porque o cuidado com a mulher precisa considerar diferentes aspectos da vida”, afirma.
A resistência aos exames preventivos também esteve entre os assuntos tratados. Medo, vergonha e falta de conhecimento podem atrasar a procura pelos serviços de saúde e comprometer a identificação precoce de doenças. “Quando existe informação clara e um ambiente acolhedor, as mulheres se sentem mais seguras para falar sobre seus receios, esclarecer dúvidas e procurar atendimento. O diagnóstico precoce pode fazer uma diferença decisiva, por isso é fundamental que elas conheçam o próprio corpo e saibam quando buscar ajuda”, destaca Josiane.
A atividade levou em conta as particularidades culturais da comunidade, com respeito aos costumes, às tradições e aos conhecimentos das mulheres indígenas. O diálogo também valorizou o cuidado coletivo, o apoio familiar e a troca de experiências entre as participantes.
Para a supervisora, considerar essas características é essencial para que as orientações estejam conectadas ao cotidiano da comunidade. “Não se trata apenas de levar informação. É preciso ouvir, compreender os costumes e estabelecer uma relação de confiança. O cuidado com a saúde se torna mais efetivo quando considera a realidade das pessoas e respeita sua cultura”, observa.

Aproximadamente 30 mulheres participaram da roda de conversa. (Foto Divulgação)
SAÚDE MAIS PERTO DAS FAMÍLIAS RURAIS
O Programa Saúde no Campo começou em Santa Catarina em 2025, no Meio-Oeste, como projeto-piloto. A experiência aproximou as ações preventivas das famílias rurais e serviu de base para a expansão do atendimento para outras regiões do Estado em 2026. A iniciativa é do Senar Nacional e em Santa Catarina é executada pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos Rurais.
Segundo o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, a primeira etapa mostrou que a prevenção alcança melhores resultados quando os profissionais conhecem de perto as condições de vida das famílias atendidas. “A atuação começa muito antes da consulta. A equipe vai até a propriedade, conhece a realidade de cada família, enxerga os fatores de risco e orienta sobre como prevenir e acompanhar a saúde”, destaca Pedrozo.
Cada módulo do programa conta com um supervisor enfermeiro e 15 profissionais de saúde rural, entre técnicos de enfermagem e enfermeiros. A estrutura tem capacidade para atender até 2.700 famílias cadastradas. Os participantes recebem orientações sobre doenças frequentes no meio rural, medidas preventivas e um kit de primeiros socorros.
O programa também disponibiliza consultas on-line e utiliza uma plataforma eletrônica unificada, desenvolvida por meio da parceria entre o Senar Nacional e o Hospital Israelita Albert Einstein.
Para o superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, a combinação entre acompanhamento presencial e consultas a distância contribui para reduzir uma das barreiras enfrentadas pela população rural: o acesso a serviços de saúde especializados.
“A tecnologia permite encurtar distâncias, mas o diferencial está no acompanhamento próximo das famílias. O profissional conhece o ambiente onde elas vivem, identifica fatores que podem afetar a saúde e orienta sobre os cuidados necessários. Esse trabalho preventivo ajuda a levar atenção à saúde para quem muitas vezes está distante dos grandes centros”, afirma.