Webinar do Sistema FAESC/SENAR e SAFRAS & MERCADO analisa cenário e perspectivas do milho e da soja

Webinar do Sistema FAESC/SENAR e SAFRAS & MERCADO analisa cenário e perspectivas do milho e da soja
FAESC
18 de Dezembro de 2025
Por: MB Comunicação
Fonte: Sistema FAESC/Senar

O cenário global de oferta e demanda e as perspectivas para os mercados de milho e soja — duas potências do agronegócio brasileiro — foram o foco do último webinar do ano promovido pelo Sistema Faesc/Senar, em parceria com a consultoria Safras & Mercado. O encontro, realizado na noite de terça-feira (16), contou com a participação do consultor-chefe da Safras & Mercado, Paulo Roberto Molinari, um dos analistas mais reconhecidos do País em inteligência de mercado para grãos.

A programação teve início com a explanação do presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, que contextualizou o momento desafiador enfrentado pelo setor agropecuário. Ele destacou as dificuldades observadas em algumas cadeias produtivas, como leite e arroz, além dos entraves relacionados ao crédito rural. Segundo Pedrozo, os eventos realizados em parceria com a Safras & Mercado representam uma oportunidade estratégica para esclarecer dúvidas e orientar os produtores em um cenário de incertezas.

“É fundamental termos informações atualizadas sobre o futuro do milho e da soja, com projeções até 2026, para embasar a definição de estratégias. São poucos os segmentos que têm apresentado resultados positivos neste ano, o que torna esse debate ainda mais relevante”, afirmou.

Em sua apresentação, Paulo Roberto Molinari chamou a atenção para o ambiente macroeconômico e político, marcado por elevada volatilidade. O analista destacou que o país caminha para um ano eleitoral, com múltiplas variáveis envolvidas, além de fatores internacionais, como a nova safra norte-americana, a safrinha de milho e a safra de soja em desenvolvimento na América do Sul. “Temos um ano inteiro em aberto, com muitos elementos que podem impactar o mercado”, observou.

CÂMBIO: VARIÁVEL FUNDAMENTAL NA ECONOMIA

Ao abordar o câmbio, Molinari destacou que a taxa é uma variável central da economia brasileira e está diretamente ligada às distorções dos preços internos, refletidas nos custos de combustíveis, transporte, energia e no custo de vida. Segundo ele, se o câmbio estivesse mais próximo de R$ 6,00, o agronegócio ainda enfrentaria dificuldades, mas não tão fortes. Para o analista, o câmbio exagera o pessimismo sobre os preços internos e precisa passar por uma correção.

Molinari explicou que iniciou a análise pelo câmbio devido ao cenário externo marcado pela queda dos juros nos Estados Unidos e pelo aumento do desemprego, fatores que podem levar a novos cortes nas taxas e manter o dólar mais fraco, favorecendo a valorização do real. Ele também apontou a China como um importante fator para o Brasil, em razão da valorização de sua moeda e da forte demanda por produtos agropecuários, sem recorrer à desvalorização cambial como estratégia frente às tarifas.

No cenário interno, o analista destacou o impacto do arcabouço fiscal, afirmando que, por meio desse modelo, o Governo tem retirado o excesso de despesas que supera a receita e jogando para a dívida, que cresce de forma contínua. Ele também comentou que, enquanto o mundo reduz juros, o Brasil mantém a Selic em 15% para conseguir financiar uma dívida pública crescente.

Segundo Molinari, com isso, o produtor rural segue enfrentando juros muito superiores à Selic, consequência do avanço das despesas públicas. Por fim, ele ressaltou que, apesar das projeções de queda da Selic para o próximo ano, qualquer mudança exige cautela, já que decisões econômicas sempre provocam reações, especialmente em um ambiente político e eleitoral sensível.

O CLIMA

Outro ponto importante da palestra foi a questão do clima. O analista explicou que, até o momento, não havia a configuração do fenômeno La Niña, que começou a se apresentar nesta semana de forma fraca e com curta duração, devendo perder força já a partir de fevereiro.

Segundo Molinari, os mapas climáticos atuais não indicam riscos significativos para o Sul do Brasil, incluindo Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nem para a América do Sul como um todo. No entanto, reforçou que o monitoramento constante é indispensável. “A principal variável dos próximos meses para o mercado de milho e soja é o clima. Acompanhar os mapas diariamente é fundamental”, concluiu.

SOJA E MILHO

De acordo com Molinari, neste ano, os Estados Unidos plantaram uma área muito grande de milho, a segunda maior da história: 98.7 milhões de acres. “Como o plantio foi elevado, o comportamento normal do produtor americano é retirar de 4 a 5 milhões de acres dessa área e transferir para a soja, respeitando a rotação de culturas. Isso é o padrão da safra americana. A grande pergunta é: será que o produtor americano está motivado com a soja a ponto de reduzir a área de milho, considerando que a China está comprando apenas o suficiente? Essa é a grande questão de 2026”.

Ele seguiu destacando que se houver redução da área de milho poderá gerar uma bolha especulativa, o que é positivo para quem exporta. Por outro lado, pode aumentar a pressão sobre a soja. “Já se o produtor mantiver uma área elevada de milho, haverá mais pressão sobre o preço desse grão, mas pode surgir uma bolha especulativa na soja — exatamente o que o mercado espera. Por isso, precisamos ficar atentos a esses dados da safra americana que serão divulgados no dia 31 de março. Até lá, haverá um grande volume de informações e estimativas de empresas privadas tentando antecipar os números oficiais do governo. Assim, de janeiro a março, a grande discussão deve se concentrar em dois pontos principais: o clima na América do Sul e o plantio da próxima safra americana”.

Ao comentar sobre o cenário nacional, frisou que o ciclo da soja ainda está em andamento, com influência do clima de janeiro e a definição final no Rio Grande do Sul. “Ainda assim, trata-se de uma boa safra, sem fundamentos para afirmar que a produção ficará abaixo de 170 milhões de toneladas”.

Por fim, o analista avaliou que, para a soja, as principais oportunidades em 2026 estarão associadas ao câmbio e ao comportamento da safra norte-americana. Já o milho tende a apresentar grande movimento especulativo, sobretudo no primeiro semestre, criando oportunidades adicionais de mercado para os produtores.

PARCERIA CONSOLIDADA

O webinar foi encerrado com anúncio do presidente Pedrozo de que a parceria segue no ano que vem, reforçando o compromisso do Sistema Faesc/Senar e Safras & Mercado em levar informação qualificada e estratégica aos produtores rurais catarinenses.

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